Estaremos aceitando submissões de resumo a partir de 1 de março!!!
Por: Thiago Silva Pedrozo Trancoso, aluno de Graduação em Enfermagem pela UFF.
Orientação: Prof.ª Dr.ª Lucianne Fragel Madeira e Dr. Gustavo Henrique Varela Saturnino Alves.
Você já ouviu falar da Tilápia? A tilápia é um peixe fortemente comercializado no brasil para o uso alimentício, mas, você sabia que ela possui outras características que possibilitam o seu uso? Elas também são utilizadas para fazer curativos oclusivos de queimaduras. As queimaduras são definidas como lesões dos tecidos orgânicos, devido um trauma térmico, elétrico, radioativo, químico ou por atrito. Esse trauma é capaz de danificar os tecidos em diferentes graus e profundidades, podendo afetar sua figuração, funcionalidade e em graves casos pode levar à morte. Desse modo, por muito tempo, diversos estudos com os meios convencionais, como pomadas e curativos oclusivos, foram conduzidos a fim de encontrar maneiras mais eficientes para a recuperação desses tecidos lesionados e assim, facilitar a recuperação do paciente.
Atualmente, todos os curativos que visam remediar queimaduras possuem o mesmo princípio, estabelecer um local úmido, com amplo aspecto antimicrobiano, ter baixa toxicidade, ação rápida, não provocar irritação, não promover aderências e protegendo-o de choques mecânicos. Entretanto, esses curativos apresentam limitações em alguns tipos de lesões mais graves, ao modo que outros fármacos, como prata com sulfadiazina combinados com as bandagens, não são capazes de suprir a necessidade do ferimento.
Pensando nisso, o pesquisador Marcelo Borges, o coordenador Edmar Maciel e sua equipe, conduziram as pesquisas no campo dos enxertos de pele e, investigaram o potencial da pele de Tilápia-do-nilo, um peixe de água doce, de fácil reprodução e em abundância pelo brasil, para ser usado como xeno enxerto biológico em queimaduras de alto nível. Durante as pesquisas, foi constatado que a pele de tilápia possui um características em comum com a humana que, proporciona uma boa cicatrização, menos dolorosa e complicada em relação aos curativos padrões, além de possuir alto teor de colágeno.
Além de todos os benefícios biológicos que a pele de tilápia possui, ela também é econômica, visto que ela é um subproduto de descarte do consumo desse animal e, apenas 1% dessa pele descartada é utilizada na confecção de materiais artesanais, ou seja, auxilia na redução do desperdício desse produto.
Portanto, pode-se perceber como a vida humana e animal estão intrinsicamente ligadas e, como a inovação cientifica pode salvar vidas, ao notar que um simples peixe pode melhorar a saúde de alguém.
Referências:
EDMAR MACIEL LIMA JUNIOR; BRUNO ALMEIDA COSTA; MANOEL ODORICO DE MORAIS FILHO. Uso da pele de tilápia do Nilo em medicina regenerativa: Status atual e perspectivas futuras. 2020. .
LIMA, Edmar Maciel; MORAES, Manoel Odorico; COSTA, Bruno Almeida; UCHÔA, Alex Marques Do Nascimento; MARTINS, Camila Barroso; MORAES, Maria Elisabete Amaral De; ROCHA, Marina Becker Sales; FECHINE, Francisco Vagnaldo. Treatment of deep second-degree burns on the abdomen, thighs, and genitalia: use of tilapia skin as a xenograft. Revista Brasileira de Cirurgia Plástica (RBCP) – Brazilian Journal of Plastic Sugery, v. 35, n. 2, p. 243–248, 2020. https://doi.org/10.5935/2177-1235.2020RBCP0040.
SILVA, Andréia Vieira; TAVARES, Denise Sousa; TAVARES, Pedro Anderson Miranda; SANTOS, Carina Oliveira. Terapias aplicadas no tratamento das lesões por queimaduras de terceiro grau e extensão variável: revisão integrativa. Medicina (Ribeirão Preto), v. 53, n. 4, p. 456–463, 11 dez. 2020. https://doi.org/10.11606/issn.2176-7262.v53i4p456-463.
Rossi LA, Menezez MAJ, Gonçalves N, Ciofi-Silva CL, Farina-Junior JA, Stuchi RAG. Cuidados locais com as feridas das queimaduras. Rev Bras Queimaduras2010;9(2):54-59