Estaremos aceitando submissões de resumo a partir de 1 de março!!!
Por: Kethyllen da Silva Maia Rodrigues, aluna de Graduação em Biomedicina pela UFF.
Orientação: Prof.ª Dr.ª Lucianne Fragel Madeira e Dr. Gustavo Henrique Varela Saturnino Alves.
A toxoplasmose é uma doença que pode ser adquirida ou congênita quando transmitida verticalmente da mãe para o bebê. É causada pelo parasita Toxoplasma gondii e trata-se de uma zoonose, ou seja, é transmitida por animais. Embora os gatos sejam os mais conhecidos nesse contexto, a transmissão também pode ocorrer por meio de outros animais, como bovinos, suínos, caprinos e aves (Secretaria de Saúde do Paraná, 2021).
A forma adquirida da toxoplasmose é, na maioria das vezes, assintomática, mas pode provocar sintomas leves, como febre, cansaço, dores musculares, dor de cabeça e linfonodos inchados. No entanto, em pessoas imunossuprimidas, a doença pode se manifestar de forma grave, com risco de encefalite, lesões em órgãos e problemas oculares.
A forma congênita é uma das formas mais conhecidas da doença e ocorre quando a mãe entra em contato pela primeira vez com o parasita durante a gravidez, o que pode resultar em complicações graves, como coriorretinite (processo inflamatório que atinge a retina e suas estruturas), calcificações cerebrais, hidrocefalia ou microcefalia, além de distúrbios no desenvolvimento. Em casos mais severos, pode levar ao aborto ou ao nascimento de natimortos (JAWETZ; MELNICK; ADELBERG, 2014).
A Toxoplasmose é popularmente conhecida como doença do gato, sendo muito associada a estes, sobretudo nas infecções congênitas e isso se deve em sua maioria ao ciclo do parasita, no qual os felinos são os únicos hospedeiros definitivos (Ministério da Saúde, 2022).
Apesar de os gatos serem realmente os hospedeiros definitivos e desempenharem um papel crucial neste ciclo, ainda assim, não são os grandes vilões dessa história e mesmo não sendo o principal problema, muitos desses animais sofrem com o abandono causado pela desinformação.
Como ocorre o ciclo da toxoplasmose?
O ciclo biológico do Toxoplasma gondii é dividido em duas fases principais: a sexuada, que ocorre exclusivamente no intestino dos felinos, e a assexuada, que pode acontecer em humanos e outros animais. Os gatos, são os hospedeiros definitivos(pois em seu organismo ocorre a reprodução sexuada do parasita) desempenham um papel essencial nesse ciclo. Quando um gato ingere tecidos de animais infectados contendo cistos do parasita, como de roedores ou pássaros, os cistos liberam formas infectantes chamadas taquizoítos no intestino. Lá, ocorre a reprodução sexuada, resultando na formação de oocistos, que são eliminados nas fezes do gato.
Esses oocistos, quando liberados no ambiente, tornam-se infectantes após um período de maturação, conhecido como esporulação, que leva de um a cinco dias em condições adequadas. Os oocistos podem contaminar água, solo, alimentos ou vegetação, sendo ingeridos por outros animais ou humanos. Nos hospedeiros intermediários, como humanos, aves ou mamíferos, o parasita entra na fase assexuada, formando cistos nos tecidos, principalmente nos músculos e no sistema nervoso, onde pode permanecer inativo por longos períodos (SanarMed, 2019).
O papel do gato é central no ciclo, pois ele é o único capaz de liberar os oocistos no ambiente, garantindo a continuidade do ciclo. Contudo, a infecção em humanos está mais associada ao consumo de alimentos contaminados, como carne crua ou mal cozida, e à ingestão de água ou vegetais contaminados, do que ao contato direto com fezes de gatos. Dessa forma, a contaminação por meio desses só ocorre se a pessoa entrar em contato com fezes contendo oocistos durante o período em que eles estão sendo eliminados e, posteriormente, ingerir esses oocistos de forma acidental. Esse tipo de transmissão é raro, mas pode acontecer, por exemplo, durante a limpeza de caixas de areia ou ambientes contaminados, ou em casos de crianças que toquem nas fezes dos gatos e levem as mãos à boca.
Logo, é notório que os gatos não são a principal forma de infecção, visto que quando infectados, eliminam oocistos do Toxoplasma gondii nas fezes apenas uma vez na vida, geralmente por um período curto de cerca de duas semanas. Além disso, esses cistos precisam de pelo menos um dia no ambiente para se tornarem infectantes, o que é evitado com a limpeza diária (DigitalVet, 2021).
Medidas para evitar a infecção por Toxoplasma gondii
Para evitar a infecção e assim se prevenir, existem diversas medidas profiláticas, tanto de forma geral, quanto associada aos cuidados com os felinos, das quais podemos citar:
A toxoplasmose é uma doença séria que pode trazer muitos prejuízos, o que torna indispensável a divulgação de informações sobre o parasita. Isso não apenas ajuda as pessoas a se protegerem e evitarem a doença, mas também contribui para diminuir os estigmas associados aos gatos, que muitas vezes são injustamente culpados. Cuidar bem de um gato, mantendo-o saudável, em ambiente doméstico, com alimentação adequada e boa higiene, reduz significativamente os riscos de transmissão. Gatos domésticos não são vilões; pelo contrário, são companheiros leais e carinhosos, principalmente em momentos tão especiais como a gestação. Ao entender a toxoplasmose e praticar medidas simples de prevenção, é possível conviver com esses animais de forma segura e harmoniosa.
Referências
BROOKS, G. F. et al. Microbiologia Médica de Jawetz, Melnick & Adelberg – 26.ed. [s.l.] AMGH Editora, 2014.
CCZ-NITERÓI/RJ. Toxoplasmose. Disponível em: <https://cczniteroirj.blogspot.com/2021/04/toxoplasmose.html>. Acesso em: 3 dez. 2024.
EQUIPE DIGITALVET. Gatos, gravidez e toxoplasmose – Digitalvet. Disponível em: <https://digitalvet.com.br/toxoplasmose/>. Acesso em: 2 dez. 2024.
SANAR, R. Toxoplasma Gondii: o que é e Ciclo Biológico. Disponível em: <https://sanarmed.com/toxoplasma-gondii/>. Acesso em: 2 dez. 2024.
SECRETARIA DA SAÚDE DO ESTADO DO PARANÁ. Toxoplasmose. Disponível em: https://www.saude.pr.gov.br/Pagina/Toxoplasmose. Acesso em: 3 dez. 2024.
Toxoplasmose: o gato não é vilão para a doença. Ministério da Saúde, 2022. Disponível em: <https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/noticias/2021/dezembro/toxoplasmose-o-gato-nao-e-vilao-para-a-doenca>. Acesso em: 3 dez. 2024.