Estaremos aceitando submissões de resumo a partir de 1 de março!!!
Por: Mariana de Mattos Silva, aluna de graduação em Enfermagem pela UFF.
Orientação: Prof.ª Dr.ª Lucianne Fragel Madeira e Dr. Gustavo Henrique Varela Saturnino Alves.
A amamentação é uma experiência íntima entre mãe e bebê, essencial para a vida deste, pois o leite materno contém todos os nutrientes necessários para garantir a alimentação e o desenvolvimento saudável do bebê, sendo considerado o alimento padrão-ouro para os lactentes. Além disso, o leite materno também possui anticorpos provenientes da nutriz, que fortalecem o sistema imunológico e protegem contra doenças contagiosas, alergias, infecções em diversos sítios, entre outras condições. É conhecido, portanto, como a “primeira vacina do bebê”.
O Banco de Leite Humano (BLH) é um serviço regulamentado por legislação e portarias, oferecido mundialmente, com a primeira instituição criada em 1909, em Viena. No Brasil, o BLH surgiu apenas em 1943, com o Instituto Nacional de Puericultura, atualmente chamado de Instituto Fernandes Figueira (IFF), localizado no Rio de Janeiro. O Banco de Leite Humano é definido como o “serviço especializado, responsável por ações de promoção, proteção e apoio ao aleitamento materno, além da execução de atividades de coleta da produção lática da nutriz, seu processamento, controle de qualidade e distribuição” (MINISTÉRIO DA SAÚDE, 2006).
O aleitamento materno não é uma realidade para todas as mães, pois pode ser inviabilizado por fatores como problemas de saúde, uso de medicações incompatíveis com uma amamentação segura ou até mesmo a perda prematura da mãe. Na história do país, por muitas décadas, existiram mulheres que atuavam como “amas de leite”, denominadas nutrizes, que amamentavam crianças de seu próprio núcleo familiar, de pessoas conhecidas ou em troca de remuneração. Essas ações eram “como uma forma de suprir os desejos ou necessidades de mães que se opunham ao aleitamento ou estavam impedidas de realizá-lo”, como relata uma das edições da Revista de Manguinhos, intitulada Amas de Leite, emitida pela Agência Fiocruz de Notícias, em junho de 2019.
O trabalho das amas de leite era valorizado devido aos benefícios já conhecidos do aleitamento materno, visto que o leite humano é considerado o alimento ideal para o recém-nascido (RN). Esse leite, produzido por mães saudáveis, é suficiente para suprir todas as necessidades nutricionais do RN “a termo” durante os primeiros seis meses de vida, permitindo que ele permaneça em aleitamento materno exclusivo nesse importante período. Os diversos benefícios do aleitamento materno para o organismo infantil incluem aspectos higiênicos, imunológicos, psico-sociais e cognitivos, além da prevenção de doenças futuras.
Em uma matéria realizada pelo Ministério da Saúde sobre a doação de leite, foi apresentado que, anualmente, cerca de 330 mil nascimentos ocorrem em condição de prematuridade ou baixo peso, representando o público-alvo para receber doação de leite materno e otimizar sua recuperação. Esse número corresponde a 11% do total de crianças nascidas no país, considerando a média de 3 milhões de nascimentos por ano.
Em suma, o BLH desempenha uma função vital no apoio à amamentação e na promoção da saúde dos recém-nascidos. A doação de leite materno assegura que esses bebês recebam todos os benefícios nutricionais e imunológicos necessários para seu desenvolvimento saudável, quando a amamentação direta não é possível. Além disso, representa um avanço significativo na garantia de cuidados adequados aos lactentes, reforçando a importância de iniciativas como a doação, que contribuem diretamente para a redução da mortalidade infantil e o fortalecimento da saúde pública. Assim, o Banco de Leite Humano se revela um serviço indispensável para a sociedade, sendo um ato de solidariedade e amor ao próximo que salva vidas e proporciona qualidade de futuro com mais qualidade para muitas famílias.
Referências Bibliográficas