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ATP: Muito mais que uma molécula energética

Por: Douglas Penaforte Cruz, graduado em Biomedicina pela UFF.
} Orientação: Prof.ª Dr.ª Lucianne Fragel Madeira e Dr. Gustavo Henrique Varela Saturnino Alves.

Para nosso corpo funcionar de maneira adequada, diversos eventos que não podem ser vistos a olho nu ocorrem em seu interior. Diversas moléculas interagem com nossas células e permitem a execução de funções básicas, como sentir cheiros e gostos, respirar e até mesmo enxergar! A molécula mais conhecida é a adenosina trifosfato (ATP), que possui diversas funções importantes, fazendo parte do sistema purinérgico. Esse sistema junta todos as moléculas que possuem adenosina (ATP, ADP, AMP…) e são uma das sinalizações mais antigas encontradas ao longo da evolução.

Geralmente nosso primeiro contato com o ATP é no ensino médio, quando aprendemos sobre o processo de respiração das células. O ATP é descrito como molécula de energia química dentro das células, sendo considerado assim uma moeda de troca para diversos processos celulares. Porém essa molécula não se resume a isso! O ATP também é considerado como uma molécula de sinalização, isso por que ele sinaliza as nossas células a executar uma função específica. Nesse sistema o ATP se liga a um receptor específico na célula e dá origem à uma resposta que contribui para o funcionamento do organismo. É como se o ATP fosse uma chave e o receptor a fechadura, possibilitando a entrada dessa molécula na célula.

O interessante sobre essa molécula é que ela está presente em praticamente todas as células do nosso corpo, então ela é importantíssima para o funcionamento de diversos órgãos e sistemas!

  • O papel da sinalização purinérgica no cérebro foi o primeiro a ser descoberto e tem sido um dos mais investigados. Atualmente, é bem estabelecido o papel do ATP como um neurotransmissor, participando da sinapse entre neurônios. Já foi visto seu papel em diversos processos, como por exemplo a interação entre neurônios, o processo de aprendizado e até na memória.
  • Nos músculos, o ATP é um agente importante na contração muscular, possibilitando a locomoção e execução de exercícios;
  • Em relação ao sistema respiratório, já tem sido documentado que componentes do sistema purinérgico estão presentes nas vias aéreas e nos pulmões, ajudando a controlar esse sistema de diversas formas. Esse mecanismo auxilia, por exemplo, na depuração mucociliar -um nome difícil para se referir ao mecanismo primário de defesa para remover poeira e microrganismos dos pulmões.
  • O sistema purinérgico também está presente no pâncreas, influenciando a produção de glucagon e insulina, importantes para o controle dos níveis de açúcar no sangue.
  • No sistema digestivo, o ATP tem é importante em regular os movimentos do trato gastrointestinal, e também atua na regulação da secreção e absorção das células do tecido e no controle do tônus vascular intestinal.

Além dessas várias funções que já foram descritas, ainda tem um mundo a ser descoberto sobre a sinalização purinérgica! É impressionante como moléculas tão pequenas possuem tanta importância no nosso corpo, né? Investir em mais estudos e na divulgação do conhecimento é fundamental para entender mais sobre o tema, e conhecer o que acontece dentro do nosso corpo.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:              

Cardoso, A. M., Spavanello, R. M., Manfredi, L. H., and Maciel, S. F. V. O. Sinalização purinérgica e suas implicações fisiológicas. [online]. Chapecó: Editora UFFS, 2021, pp. 15-27. ISBN: 978-65-86545-47-0.

Bumstock G. Purinergic nerves. Pharmacological Reviews 24: 509-581, 1972

Bumstock G. The past, present and future of purines nucleotides as signalling molecules. Neuropharmacology Vol. 36, No. 9, pp. 1127-1139, 1997

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